Desde a Invasão Holandesa (1634) nunca se viu tamanha desorganização administrativa em Natal
Prefeitura de Natal em 1921
A administração da prefeita Micarla de Sousa está um desastre. O descontentamento da população natalense atingiu níveis nunca antes vistos na história da cidade. Desde a Invasão Holandesa (1634) nunca se viu tamanha desorganização administrativa em Natal. Dois anos após conquistar o poder, frustrou as expectativas daqueles que, ingenuamente, enxergavam nela a figura de salvadora da pátria.
Basta olhar o índice de rejeição da chefe do executivo municipal, onde pesquisas revelam em números, o que já se percebe em todos os recantos da cidade, nas ruas, nos bares, ônibus, conversas de fim de tarde das calçadas e nos debates das redes sociais.
Segundo pesquisa Consult (24/03) a atual gestora é desaprovada por 84,50%, o equivalente a oito em cada grupo de dez natalenses. No caso dos quem têm curso superior essa porcentagem é ainda maior: 91,2%. A administração foi aprovada por apenas 9,25%, e sem opinião formada 6,25%.
Na análise feita por regiões administrativas, a rejeição é maior na Zona Sul (88,5%), onde a Prefeitura enfrenta problemas com o saneamento e pavimentação de ruas em Capim Macio, bairro de classe média alta de Natal. Na Zona Norte, onde houve uma votação massiva na então candidata do PV, a desaprovação é de 84%. Micarla lidera o ranking da rejeição entre os possíveis candidatos à Prefeitura de Natal em 2012, onde 61% dos eleitores disseram que não votariam nela em hipótese alguma. Em janeiro, quando o instituto divulgou a primeira pesquisa do ano, a administração era reprovada por 77,6%. Agora, a reprovação cresceu quase 7%.
O Início
Ex-aliados de Micarla de Sousa de 2008
No início Micarla teve apoio decisivo de uma estrutura de mídia, empresas e políticos, quando partidos e personalidades ajudaram a elegê-la prefeita de Natal e hoje são co-responsáveis pelo desastre administrativo municipal. Agora com a crescente reprovação à sua administração se dizem “frustrados”, abandonando-a à própria sorte, como citou a deputada federal Fàtima Bezerra em jornal da cidade.
Para o vereador Enildo Alves (sem partido) a administração de Micarla cometeu equívocos, mas “o apoio de Rosalba vai melhorar a gestão e reverter essa rejeição”, disse, acrescentando que não vê o caos administrativo a que muitos se referem.
Segundo Rivaldo Fernandes presidente de honra do PV existe uma “turma do caos, a teoria do caos que sataniza a Prefeitura”, e um dos objetivos é esconder o que foi feito pela atual administração. Em entrevista à Rádio Cidade (06/04), Rivaldo afirmou existir “algumas dificuldades”, mas o “mito do caos compara Natal com o Haiti”. E acrescentou que vem um grande volume de obras da Prefeitura. Para ele “há um novo momento e valeria a pena a oposição fazer um pacto em torno da cidade”.
Olhar para trás
Foto: Rodrigo Sena
Prefeita Micarla de Sousa não esquece o ex-prefeito Carlos Eduardo
Foto Blog Heitor Gregório
A prefeita, desde que assumiu, atira pedras no retrovisor, acusando a administração de Carlos Eduardo Alves das piores coisas possíveis. Em seu discurso, absolutamente tudo é culpa do ex-prefeito. Enquanto ela olha para trás, desce nas pesquisas e Carlos Eduardo lidera com folga as análises.
Slogan de Micarla e de Emílio Garrastazu Médici
General Emílio Garrastazu Médici - “Ame-a ou deixe-a“-(1969-1974)
Foto Augusto Ratis
Prefeita de Natal Micarla de Sousa -“Quem está comigo está com Natal“ (2008 – 2012)
Segundo o blog Embolando Palavras - Em entrevista ao Jornal de Hoje, Micarla reeditou o slogan de Médici ao dizer que “Quem está comigo está com Natal“. É quase uma espécie de “Ame-a ou deixe-a“. Escolhido pelos milicos de plantão para suceder Costa e Silva, o general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) tentou melhorar sua imagem junto ao povo gastando milhões de cruzeiros em propaganda. O slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o” ficou famoso por pretender transformar o patriotismo em apoio ao regime.
A defesa
Para a prefeita de Natal, pesquisas indicam tendências e os números são fruto da “orquestração” de seus adversários e culpa os “perdedores” pelo seu desastre. Indagada sobre como avaliava a reprovação popular, no Tribuna do Norte, respondeu: “Números não são para serem criticados ou analisados. Números são frios”. Segundo Rivaldo Fernandes, durante entrevista na Rádio Cidade (06/04), na opinião da prefeita “pesquisa hoje não vale nada”.
Após saber dos números da última pesquisa, a prefeita apresentou um balanço da gestão no Twitter. “Os nossos dois primeiros anos foram difíceis, como todo mundo sabe, não tive parceria nem apoio pra realizar tudo o que queria. Mas isso não me intimidou e nem diminuiu a minha vontade de trabalhar por Natal”. E mencionou realizações feitas – segundo ela – “sem parcerias”, entre as quais a implantação de três AMEs, dos Telecentros, da UPA e de 36 Centros de Educação Infantil – CMEIs, em dois anos. Porém, com exceção da AME, os projetos receberam verba federal.
Quanto a acusação que vem sofrendo por trazer auxiliares de fora do Estado para auxiliá-la na Prefeitura, Micarla considera ser injusta. E exemplifica: “no passado, o prefeito Aldo Tinoco trouxe vários secretários de São Paulo. E, atualmente, o deputado Robinson Farias trouxe, também de São Paulo, o atual presidente da CAERN”.
O Reino da intolerância aos críticos
O desequilíbrio de alguns auxiliares de Micarla vem sendo exposto através do Twitter, utilizado para ridicularizar e alfinetar àqueles que criticam sua gestão. Quem se atreve a apontar os desmandos da prefeita-borboleta é imediatamente convertido em inimigo público número um, como aconteceu com as jornalistas
Anna Ruth Dantas, Eliana Lima e Laurita Arruda. Tudo isso com a finalidade de coibir os/as jornalistas de exercerem o direito à livre expressão e crítica.
Reordenamento e Remanejamento Administrativo
Em dois anos a população ainda não gravou os nomes dos secretários municipais, mas das duas uma: O tempo está passando muito rápido ou os auxiliares é que passaram velozes. Entre exonerações e remanejamentos, a prefeita já trocou mais de 17 nomes de secretários. Reconhecendo os erros cometidos nos primeiros anos do seu mandato Micarla diz recomeçar a gestão. "Temos que avançar com os acertos e aprender com os erros. Vamos recomeçar com ânimo e peço aos meus novos auxiliares que não se incomodem com picuinhas e quando perguntarem sobre eleições, digam que a prefeita está muito ocupada cuidando da cidade", declarou.
Foto: Alex Régis
Reunião com novos secretários municipais
Com o anúncio do “reordenamento administrativo”, “mudança no conceito da gestão”, uma coisa “extremamente ousada”, a prefeita avisou que começaria uma “nova era administrativa”, porém, as mudanças se limitaram, quase integralmente, a remanejamentos entre antigos colaboradores.
Na prática, as secretarias continuam as mesmas, o que a prefeita fez foi dividir as 29 pastas em núcleos, que terão um secretário como coordenador. Caberá a esse auxiliar “integrar e unir as secretarias”, como explicou.
Veja quais são esses núcleos e seus respectivos coordenadores:
Assessoramento de Gestão — Micarla de Sousa;
Políticas Prioritárias — Kalazans Bezerra;
Copa 2014 — Paulinho Freire;
Gestão e Finanças — Carlos Von Sosten;
Ordenamento Urbano — Sérgio Pinheiro;
Desenvolvimento Social — Rosy de Sousa
Problemas por todas as áreas
Há um consenso harmonioso quando se refere à reclamação da população de abandono da cidade: As ruas e avenidas da cidade estão esburacadas, mais parecem uma tábua de pirulito. Lixo, iluminação precária, muitas creches ainda estão sem estrutura, postos de saúde faltando muita coisa.
A falta de pagamento em vários setores da Prefeitura. Artistas, profissionais, credores e servidores não são pagos; Secretarias sem telefone, sem internet, sem material de expediente e limpeza, como acontece na Urbana (falta até bloco com boleto para que se pague uma multa). Questões ambientais ignoradas, à exemplo, o corte de árvores (Praça Mauá no Gramoré com vários cortes de árvores porque sujava a rua com folhas).
As Secretarias mudam gradativamente de prédios públicos próprios para alugados, como a SEMURB que saiu de sede própria na Ribeira, para pagar aluguel de um edifício em Candelária. De acordo com informações tem sido gasto pela Prefeitura uma fortuna em aluguéis. As Secretarias de Saúde e Educação foram transferidas para o Novo Hotel na Ladeira do Sol, e neste caso, esquecendo-se que na área não passa nenhum transporte coletivo, utilizado pela comunidade, dificultando o acesso à todos. Enquanto isso os prédios da Prefeitura estão sendo sucateados.
Algumas Secretarias tiveram seu fornecimento de energia cortados e com telefones sem funcionar, também cortados, por falta de pagamentos como SEMOB, SEMURB, e até a vice-Prefeitura.
IPTU
O aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano de Natal, em alguns casos, chegou a 1.500%.
Líderes comunitários indignados - defendem a adoção de um movimento de desobediência civil para que o tributo não seja pago enquanto o poder público não der respostas efetivas às demandas dos moradores.
Vereadores de oposição - lamentam a falta de transparência e insensibilidade da Prefeitura na condução do problema.
Cidade da Esperança (Zona Oeste) - Na edição do dia 31 de março o Tribuna do Norte mostrou a revolta do líder comunitário da Cidade da Esperança Lúcio Carlos que reclama o abandono do bairro. “A Rua Natal está cheia de buracos e lixo. Solicitamos uma ação da Prefeitura há mais de um ano e nada foi feito”, disse ele. “É uma sacanagem dizer que vai tomar a casa de quem não pagar o IPTU”, complementou.
José Sarney (Zona Norte) - Representando os moradores do loteamento, João Bosco Tavares reclamou do aumento exorbitante do imposto e citou o caso de uma residência cujo IPTU subiu para R$ 680, enquanto o do vizinho foi de R$ 50. “Como pode uma comunidade que tem a maioria das famílias inscritas no Bolsa Família pagar IPTU de R$ 600?”
Jardim Progresso (ZN) - A reclamação é de falta de calçamento, de escola, falhas na iluminação pública e na coleta de lixo.
Cidade Praia (ZN) – Faltam obras de infraestrutura.
Pajuçara II (ZN) – Nem o prédio do Conselho Comunitário escapou e terá que pagar IPTU no valor de R$ 2.796,74 (parcela única).
Candelária – Conselho Comunitário está utilizando recursos próprios para a limpeza de praças do Conjunto já que não obteve resposta de ofício enviado a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMSUR), no dia 02 de março de 2010.
Ouvidoria da Prefeitura de Natal é fechada por falta de pagamento
Segundo informações do Blog da jornalista Ana Ruth, a Prefeitura de Natal já não conta mais com o serviço de Ouvidoria. A empresa Provider, de Pernambuco, contratada para o atendimento deixou de fazer o trabalho por falta de pagamento. São diversos débitos acumulados o que levaram a empresa a suspender todo serviço.
Dentista denuncia o caos na Unidade de Saúde da Cidade da Esperança
Através de carta enviada ao Blog de Laurita Arruda, o dentista funcionário do município de Natal, Licurgo Nunes Quarto denuncia a desordem na Unidade de Saúde da Cidade da Esperança, local aonde presta serviços como Odontólogo.
Na carta ele fala que a US servia de referência para os bairros da Cidade da Esperança, Felipe Camarão, Cidade Nova, Planalto, Km 06 e muitos outros, quando mantinha um plantão médico, com a presença de dois profissionais, atendendo em média, trezentos pacientes, desafogando, a urgência do Hospital Walfredo Gurgel.
Segundo o dentista, há mais de um ano a Prefeitura desativou o plantão, deixando a Unidade com mais de 15 salas desocupadas (cinco enfermarias, cada uma com cinco leitos; sala de nebulização; sala de reanimação equipada com aparelho desfibrilador, eletrocardiograma, etc; quatro consultórios médicos; sala para pequenas cirurgias). Tudo isso desativado.
Ele conta que o serviço ambulatorial odontológico (endodontia - canal), com três endodontistas está parado há mais de um mês. Motivo: a troca de um simples disjuntor por um de maior resistência, e não se providencia a substituição. Resultado: a população, carente à espera do reinício de um atendimento raro na rede pública de saúde. O dentista denuncia ainda que no plantão de odontologia o refletor odontológico está com a lâmpada queimada. Na farmácia não existe medicação alguma, a não ser paracetamol e diclofenaco.
Saúde de Natal
O Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Natal em conjunto com os vereadores George Câmara, Franklin Capistrano, Sargento Regina, Ney Lopes Jr, Júlia Arruda, Dinarte Torres e Rejane Ferreira realizou no último dia 04 visita às AMEs de Brasília Teimosa e a Unidade de Saúde de Mãe Luiza, onde foram detectados diversos problemas, entre eles: Falta de medicamentos, equipamentos quebrados, materiais com ferrugem na sala de curativo, caixa fechada com material odontológico enferrujado, e muita bactéria. Segundo o vice-presidente do CMS Sebastião Claudino, a AME de Brasília Teimosa está atendendo pacientes de Assu, Goianinha, São José de Mipibú, Poço Branco, Taipu e João Câmara.
Educação
Claúdia Santa Rosa doutora e mestre em educação falou ao Tribuna do Norte que não basta só construir prédios de CMEIs. “Se não houver uma ação planejada para toda a educação, pensando que quem vai para o CMEI, em alguns anos, vai precisar de vaga nas séries iniciais, e quem sai das séries iniciais precisa de vaga nas séries finais do ensino fundamental, não vamos avançar a contento”.
Praticamente todos os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIS), enfrentam dificuldades e, não apenas, na questão estrutural, que começou a ser resolvida pela Prefeitura de Natal, na terça-feira, 15/03, mais de um mês após a data prevista para o início do ano letivo – 08 de fevereiro.
A rede CMEI sofre com o déficit de professores; atraso nos repasses financeiros legais e ausência de unidades executoras - exigência legal para recebimento de recursos, inclusive federais. Segundo a coordenadora do Sinte-RN, Fátima Cardoso, perto de 50 CMEIs estão sem Unidades Executoras e impossibilitados de receber verbas. Fátima acrescenta que para a rede como um todo – incluindo o ensino fundamental - funcionar plenamente, a SME precisa contratar cerca de mil profissionais, entre professores, auxiliares de sala (para a educação infantil) e de serviços gerais.
Jardim Progresso/Lagoa Azul, cerca de duas mil crianças estão fora da escola. E os que estão estudando “são obrigados, em época de chuva, a ir para escola levando duas roupas, devido ao lamaçal que enfrentam sujando as fardas”, relatou uma representante do loteamento.
Sem dinheiro
Segundo funcionários do município de Natal a Prefeitura está sem dinheiro. Só uma imensa reviravolta para reverter a avaliação da atual administração.
Afinal, quem são os perdedores, orquestradores e sabotadores que a prefeita tenta responsabilizar pelo caos do município? O que teria levado Agripino, Robinson, João Maia, Rogério Marinho e Fábio Faria a pularem fora do barco do PV? Será que dando nomes novos para velhas práticas vai mudar alguma coisa? Será que os críticos, ex-aliados, ex-amigos, e partidos de oposição compõem o citado “mito do caos”?
Vamos acompanhar atentos, o desenrolar dos fatos. Conseguirá a prefeita-borboleta forças para voar alto novamente?